(1) Degustação
10/30/2010
Depois da paixão monstruosa e crescente, no coração culmina uma vontade engraçada de analisar quase friamente todas as partes desprendidas da razão. Onde se perderão aqueles segundos de sensatez que nem o silêncio cala? Pergunto cem milhões de vezes, desprendo da memória infantil qualquer achado justificável para encontrar nas somas e ciências mínimas o que a vontade exalta.
Na transferência, imito como num espelho atravessado todas as pequenas frustrações descobertas ao acaso a fim de localizar nos pequenos atos e erros despercebidos àquilo que o corpo transcende. Toda a indiferença que ainda morrerá junto ao toque, à matemática obscura dos que não sabem e com certeza se perderão no fim de cada dó. Maior ou menor?
Tudo aquilo que se movimenta, a curiosidade como um êxtase diante dos punhos fechados. Dentes travados e círculos de água; ainda há o arrebatamento, como um amor brando, recolhendo todos os detalhes e grandes catástrofes que a beleza é capaz de criar. Sempre e sempre, de fora para dentro, com a perplexidade de uma violência profunda e intima.
Afora, por dentro da espera, me colo ao lado do deleite, por detrás de todos os pensamentos que me distanciam do imenso. Sua respiração, pequeno cheiro de jasmim: tudo isso, que me desprende da sinceridade ardente, lançado à relva.