Exposição àrida

10/28/2010

Diria leve que, naquele instante eu me transformara em um copo de leite derretido. Um copo-de-leite completamente aberto como naqueles desertos silenciosos, que paralisam. E, nesse pedaço, a feição e todo resto é apenas um signo da realidade, de dentro pra fora um afluente que emudece a comunicação, existe sim? Não.

Quis correr pra sempre, abortar essa liberdade de vísceras, de entranhas que se aglutinam. Vontade máxima de odiar aquilo que desejo tanto, sem ao menos perceber que espero o convite, àquele movimento que toca no ponto máximo. De tudo que é irreal, todas as possibilidades que se transformam em olhos, sorrisos e pele.

Já meu corpo adormece num pedaço de carne desértico, como se qualquer possibilidade bastasse. Sentada bem aqui, pregada bem ali, onde muitas vezes fui tantas, quando o prazer suprimia qualquer visibilidade e excluía – mesmo – qualquer sintaxe, constância, derivação ou palavra: contato.

Vamos para o paraíso, de pilequinho. A memória é um privilégio e sempre tudo, como se fosse muito, é nunca ter tido.

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