10/26/2010

 

Espero aquele contato visceral. Todas aquelas idas e vindas que nunca tive coragem – sequer – de imaginar. O impalpável. O inigualável. Qualquer equívoco mais sonoro que míseras tragadas, um desejar mais doído que olhares e sorrisos. Ainda mando cartões postais e fotografias, grandes silêncios envoltos à lama e ao barro.

Sei que existem tentativas prontas pra burlar todo tipo de regra. A imposição instaurada pinga, pouco a pouco por entre as pernas, floresce na manhã como um lindo bouquet, e ecoam dissonâncias interiores que paralisam qualquer fagulha a mais. Mas sou folhagem nessas horas vagas extrassensoriais que rasgam as veias e contaminam a inocência de qualquer virtude.

Fui paralisada no tempo desértico. Talvez até seduzida por uma miragem enquanto minha língua torpe ia se desfazendo em mil vontades. O crânio sempre martela, enquanto crescem ervas daninhas, prejudiciais, enlouquecedoras. E, ainda observo sedenta, qualquer tipo de encenação com os olhos tortos e o útero completamente pra fora. Como se fizessem círculos inaudíveis em torno do meu corpo, seguindo todas as direções. Pra cima, pra baixo e não aguento mais, rompo a bolha que envolve cada pedaço opaco. Meio centímetro, milésimos de segundo, pra onde vai esse tempo que ninguém mais soube calcular? Rolo os dados, misteriosamente, como se a mim pertencesse o veredito final, sei que vamos para Constantinopla.

Esperava que ela me dissesse, e que não por uma obliquidade, reagisse, mas não, Benoît, a cada olhar denso e penetrante, ia me comendo inteira, com cheiro de porra e punheta. Essas, que não são e nunca serão de Santa Tereza. Queria dizer, queria falar muito, mas o quê? Reagisse era meu papel, estourar todos os balões, inventar um poste ali, e deslizar, como quem flutua no ar, mais e mais e mais inabalável, ou quem sabe, mais e mais próxima; como aquela fumaça pulmões adentro, aquele mar adentro, aquela loucura a olhos nus. Poema humano se formando por entre todos meus deltas, desaguando num lugar sem fim.

7 Responses to “”

  1. Dirceu Says:

    Pra que isso?

  2. Lika Says:

    Sinto que a verdade é que os balões estouraram, de alguma maneira, naquela hora. A densidade do ar.

  3. Dirceu Says:

    Essa sua prosa. Escreve pra quê?

  4. egoofcalla Says:

    Humm, como se um fato acontecesse no meu dia e aquilo me chamasse atenção, e por um motivo ou outro, desconhecido. Por acaso tomando água ou fazendo alguma outra coisa aleatória, uma frase me viesse, e tudo desmoronasse, e eu começasse a escrever. entao, o que me move é só a casualidade.


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